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Texto de exemplo para imagem de galeria na Biblioteca Virtual Oswaldo Cruz

As informações trazidas por uma correspondência ultrapassam a comunicação inicial para qual foram produzidas e todos os detalhes nelas encontrados podem ser transformados em possibilidades de investigação. Reconhecido como Memória do Mundo pela UNESCO, o Fundo Oswaldo Cruz abarca entre seus acervos o conjunto de correspondências ativas e passivas do médico-sanitarista. Neste projeto, realizamos leituras comentadas e roteirizadas por uma seleção de cartas provenientes deste Fundo, que foram contextualizadas e analisadas a partir do diálogo com outros tipos de fontes e missivas, revelando ainda mais a dimensão histórica de Oswaldo Cruz e o processo coletivo de construção da ciência na sociedade nacional e internacional do início do século XX.  

Desta forma, ampliamos as possibilidades de pesquisa, ao articular este Fundo a acervos que não estão focados na História da Saúde, mas que dialogam com as temáticas trabalhadas e nos apresentam seus pontos de vistas sobre elas. Interessa-nos compreender como e por quem o personagem Oswaldo Cruz era visto, assim como as diferentes respostas à sua atuação no campo da saúde pública do Brasil, sendo encontradas nos mais diferentes acervos pessoais e institucionais.  

Optamos por conduzir nossas pesquisas a partir dos nomes envolvidos nas redes de relações reveladas pelas cartas do Fundo Oswaldo Cruz e dos atores sociais e institucionais que se destacavam no contexto de produção destas correspondências. Uma vez desenvolvida esta listagem, o próximo passo foi a busca nos bancos de dados de instituições, escolhidas de acordo com os acervos que custodiavam e o recorte temporal e espacial de interesse, dando prioridade de análise para cartas, bilhetes e telegramas que encontrávamos. 

Entre elas, podemos destacar a Academia Brasileira de Letras; Arquivo Histórico do Itamaraty; Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC-FGV); Fundação Casa de Rui Barbosa; Fundação Joaquim Nabuco; Museu da República; Museu de Saúde Pública Emílio Ribas

As prioridades e os direcionamentos da pesquisa aqui descritos são apenas exemplos de trabalho colaborativo que deve ser constante entre instituições custodiadoras e usuários na construção de redes entre arquivos nacionais e internacionais, cuja integração é um desafio a ser superado. Assim como defende Gabriel Henrique Marcondes (2016), uma alternativa possível a partir de ferramentas digitais disponíveis é a criação de links semânticos, ou seja, ligar registros de objetos que dialogam, mas que estão sob guarda de diferentes instituições, ainda que sem aprofundar os debates sobre a padronização de sistemas de gerenciamento de acervos, como é aqui proposto. A relevância destas relações está em abranger, do modo mais completo possível, as informações acerca do objeto de estudos, assim como auxiliar outros usuários/pesquisadores na busca por fontes que respondam suas hipóteses e na escolha pela metodologia que melhor funcionará de acordo com seus objetivos gerais e específicos. 

Nosso objetivo, portanto, é exemplificar caminhos e alternativas de pesquisa envolvendo o Fundo Oswaldo Cruz. Não de forma a limitar os usos a esta experiência, mas de promover o interesse e ampliar a visibilidade da utilização de acervos de História da Saúde como possibilidade de investigação histórica, que acabam por revelar também toda uma estrutura de relações sociais, políticas e econômicas, que moldam e são moldadas pelos contextos nas quais estão inseridas e os quais também serão analisados a partir do levantamento e cruzamento de dados com arquivos sob guarda de outras instituições.